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150 tombos por dia em calçadas cariocas

Falta de conservação e de conserto em vias de pedestre transforma caminhadas no Rio em aventura de risco

Depois da Operação Asfalto Liso, de recapeamento das principais vias do Rio, moradores torcem para que as obras se estendam às calçadas, castigadas pela má conservação. Buracos em vias de pedestres causam, por ano, cerca de 54 mil tombos no Rio, média de quase 150 quedas por dia. Embora de responsabilidade dos donos dos imóveis em frente, as calçadas muitas vezes ficam esburacadas após ação de órgãos públicos.

O tamanho do buraco em frente ao número 17 da Praça Demétrio Ribeiro, em Copacabana, impressiona quem passa por ali | Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia
O tamanho do buraco em frente ao número 17 da Praça Demétrio Ribeiro, em Copacabana, impressiona quem passa por ali | Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia

De Copacabana, a aposentada Glória Aguiar, 68, enviou carta à seção Conexão Leitor, de O DIA, reclamando do estado das calçadas do bairro, que tem mais de 27% da população formada por idosos. O risco para a 3ª idade é atestado pelo Ministério da Saúde: quedas representam 24% das mortes por causas externas de idosos.

Na Praça Demétrio Ribeiro, em frente ao nº 17, o perigo mede 2m de comprimento e 2,5m de largura. “Esse buraco apareceu quando a Comlurb tirou uma árvore morta do local. Ninguém o tampou”, diz o vendedor Felipe Mattos, 27.

Perto dali, quase na esquina das ruas Prado Júnior e Barata Ribeiro, outro buraco também foi provocado pela retirada de árvore, conta a cabeleireira Josélia Herculano, 38. “De que adianta tirar um transtorno e deixar outro?”, reclama.

A buraqueira continua no Rocha, Zona Norte, onde a bengala não é suficiente para auxiliar os passos do deficiente visual Eudes Lima de Barros, 46, na Rua 24 de Maio, em frente à estação de trem São Francisco Xavier. Para não cair, ele precisa contar com a boa vontade alheia. “Para quem é cego, os riscos dos buracos nas calçadas são ainda maiores. É impossível caminhar nas do Rio de Janeiro sem a ajuda de alguém. Uma vez eu me arranhei todo depois de cair em um buraco”, conta.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada estima que, por ano, tropeços em vias públicas do Rio tragam despesas de R$ 135 milhões com internações, resgates e perda de produção de pessoas que precisam deixar o trabalho depois de um tombo. “As quedas em calçadas são problema importante. Um tropeço pode quebrar o tornozelo. Para o idoso, pode causar ainda mais danos à saúde”, alerta o presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Cláudio Santili.

Reportagem de João Noé e Pâmela Oliveira

Fonte: Jornal O Dia, 26/06/2010

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